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Criança comendo com tela: quais os impactos na alimentação e na saúde infantil?

Muitos pais já viveram essa cena: a criança não quer comer, fecha a boca, empurra o prato. Alguém sugere ligar um desenho “só para ajudar”. Funciona. Ela come tudo, sem reclamar. Esse hábito é comum em muitas famílias, não por descuido, mas pela tentativa de dar conta da rotina. O que nem sempre fica claro é que criança comer com tela afeta diretamente a alimentação, o comportamento e a saúde. O que acontece quando a criança come assistindo TV ou celular Quando a criança se alimenta olhando para uma tela, o cérebro prioriza os estímulos visuais e sonoros. Isso reduz a percepção dos sinais do corpo, como fome e saciedade. Na prática, a criança come sem atenção plena, sem perceber exatamente o que está comendo ou quando já está satisfeita. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que refeições devem acontecer sem telas, pois esse momento é fundamental para o desenvolvimento da autorregulação alimentar e da relação saudável com a comida. Pesquisas na área de nutrição infantil indicam que crianças que comem com telas tendem a: Isso não acontece por escolha da criança, mas porque o cérebro não recebe corretamente os sinais de parada. Telas, sedentarismo e obesidade infantil Outro ponto importante é a relação entre tempo de tela e falta de movimento. Quanto mais tempo a criança passa em frente a telas, menor tende a ser o tempo dedicado a brincar, correr e se movimentar. A Organização Mundial da Saúde alerta que o excesso de tempo de tela está associado ao aumento do sedentarismo e ao crescimento dos casos de sobrepeso e obesidade infantil em diversos países. A OMS recomenda que o uso de telas seja limitado e que não substitua atividades físicas, brincadeiras livres e sono adequado. Quando a tela entra em todas as refeições e ocupa grande parte do tempo livre, o corpo da criança começa a sentir os efeitos. Influência das telas nos hábitos alimentares das crianças Além da distração durante as refeições, existe outro fator relevante: a influência do conteúdo consumido nas telas. Crianças que passam mais tempo conectadas ficam mais expostas a publicidade de alimentos industrializados e pouco nutritivos. Estudos citados pelo UNICEF mostram que essa exposição influencia preferências alimentares, pedidos feitos aos adultos e a construção de hábitos desde a infância. Muitas vezes, isso acontece de forma silenciosa, sem que a família perceba o impacto do ambiente digital nas escolhas alimentares. Sinais de que o uso excessivo de telas  Os efeitos não aparecem de forma imediata. Com o tempo, podem surgir sinais como: Não é falta de cuidado. É falta de informação sobre como telas e alimentação se relacionam. Comer sem tela é uma forma de cuidado! Reduzir o uso de telas durante as refeições não é apenas uma questão de atenção ou aprendizado. É uma estratégia de promoção da saúde infantil. Comer sem tela ajuda a criança a: Ao mesmo tempo, reduzir o tempo de tela ao longo do dia abre espaço para o movimento, a brincadeira e o gasto natural de energia, fundamentais para o desenvolvimento físico e emocional. Tela não é vilã. Mas quando ela ocupa todas as refeições e todo o tempo livre, o corpo da criança paga essa conta. Conectar bem também é olhar para o prato, para o corpo e para os hábitos que construímos no dia a dia.

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Crianças, adolescentes e o mundo digital: por que a educação midiática se tornou urgente?

Nos últimos anos, a vida de crianças e adolescentes mudou de forma profunda. A internet chegou definitivamente a quase todos os lares brasileiros e passou a fazer parte do cotidiano familiar de um jeito impossível de ignorar. Em 2024, cerca de 83% dos domicílios do país tinham acesso à internet, chegando a 100% entre famílias da classe A e a 68% nas classes D e E, segundo dados do NIC.br e do Cetic.br (TIC Domicílios 2024). Há vinte anos, eram apenas 13% dos lares conectados, o que mostra como a tecnologia deixou de ser algo distante e passou a atravessar estudo, lazer, relações sociais e a própria construção da identidade. Entre crianças e adolescentes, essa presença é ainda mais intensa. Hoje, 93% dos jovens de 9 a 17 anos usam a internet, na maioria das vezes pelo celular, de acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil, do Cetic.br. Esse acesso amplia oportunidades de aprendizagem, informação e expressão, mas também expõe esse público a desafios importantes. Dados recentes mostram que 29% dos jovens afirmam já ter sido ofendidos online e 42% dizem ter visto situações de discriminação nas redes sociais (Cetic.br, TIC Kids Online Brasil 2025). Esses números deixam claro que falar sobre uso seguro, crítico e responsável da internet não é exagero, é uma necessidade concreta. Um ambiente digital cada vez mais complexo Esse cenário se torna ainda mais desafiador com a rápida expansão da inteligência artificial. Ferramentas como ChatGPT, Gemini, DALL·E, Midjourney e Sora já fazem parte do cotidiano, muitas vezes sem que adultos compreendam plenamente como funcionam. Um levantamento da Fundação Itaú em parceria com o Datafolha indica que 93% das pessoas já utilizam alguma tecnologia que envolve inteligência artificial, mas 46% não sabem explicar o que ela significa e 18% nunca ouviram falar sobre o tema. Na prática, isso significa que crianças e adolescentes já convivem com esse universo enquanto pais e educadores ainda estão tentando entendê-lo. O avanço dessas tecnologias também permitiu a criação de conteúdos cada vez mais sofisticados, como os chamados deepfakes, vídeos e imagens manipulados por inteligência artificial. Estudos publicados em 2024 na plataforma científica arXiv mostram que muitos sistemas de detecção de deepfake, inclusive os abertos ao público, já apresentam dificuldade para identificar versões mais recentes dessas manipulações. Isso torna cada vez mais difícil distinguir o que é real do que foi totalmente criado por máquinas, ampliando riscos de enganos, golpes e desinformação. Educação midiática como proteção e formação cidadã Diante desse contexto, cresce a importância da Educação Midiática e Informacional, um conjunto de habilidades que ajuda crianças, jovens e adultos a buscar informação com segurança, avaliar conteúdos, compreender como eles são produzidos e agir com responsabilidade no ambiente digital. A UNESCO alerta há anos que essas competências são essenciais para que cidadãos consigam navegar de forma ética e crítica no ecossistema informacional contemporâneo, especialmente em contextos de excesso de informação e circulação de conteúdos manipulados. O UNICEF também reforça que a educação midiática é uma das principais estratégias de proteção de crianças e adolescentes no ambiente online, ao contribuir para o desenvolvimento de autonomia, pensamento crítico e capacidade de reconhecer riscos digitais, como cyberbullying, desinformação e exploração. O debate no Brasil e o papel da escola No Brasil, esse debate ganhou força nos últimos anos. A Base Nacional Comum Curricular, documento que orienta os currículos da educação básica, já prevê competências relacionadas ao uso crítico e ético das tecnologias digitais, reconhecendo que a formação cidadã também passa pelo ambiente online. Em 2023, o Governo Federal lançou a Estratégia Brasileira de Educação Midiática, coordenada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, com foco em ações de formação e campanhas educativas para diferentes faixas etárias. Mais recentemente, em 2025, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação apresentou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que inclui diretrizes sobre o uso responsável da IA e reconhece o papel da educação na preparação da sociedade para esse novo cenário tecnológico. Escola, família e tecnologia: um desafio compartilhado O ambiente digital se tornou um espaço central na vida de adolescentes. É ali que constroem identidade, relações, repertório cultural, opiniões, vínculos afetivos e também inseguranças profundas. A família segue sendo a principal referência afetiva, e a escola continua como espaço fundamental de formação cidadã e desenvolvimento do pensamento crítico. Mas ambos passaram a enfrentar desafios novos e simultâneos, como desinformação, cyberbullying, exposição excessiva da intimidade, ansiedade digital, impacto de filtros de imagem, uso compulsivo de telas, golpes, manipulação algorítmica, jogos online de alto risco e a presença crescente da inteligência artificial generativa. O papel do Conecta Bem Brasil O Conecta Bem Brasil nasce com a missão de construir uma ponte entre escola, família e estudantes, criando espaços de orientação, diálogo, acolhimento e fortalecimento da convivência digital. Atuamos unindo conhecimento técnico, prática pedagógica e cuidado emocional, com o objetivo de apoiar a construção de uma cultura digital mais segura e saudável. Formar leitores críticos não significa afastar crianças das telas, mas ajudá-las a conviver melhor com elas, com autonomia, responsabilidade e senso crítico, aproveitando os benefícios da tecnologia para aprender, criar, participar da vida em sociedade e se desenvolver profissionalmente. Por Ana Beatriz Magalhães

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Aplicativos e redes sociais que pais precisam conhecer para proteger seus filhos

Muitos pais acompanham o uso de Instagram, TikTok e WhatsApp pelos filhos. Mas uma parte importante da vida digital de adolescentes acontece em plataformas menos conhecidas, fora do radar familiar. Entender quais são esses ambientes e como funcionam é um passo fundamental para promover o uso consciente da internet e fortalecer a segurança digital de crianças e jovens. O desafio não é o acesso à tecnologia em si, mas a falta de acompanhamento em espaços online que funcionam com pouca mediação adulta. Plataformas pouco conhecidas, mas muito usadas por adolescentes Reddit: fóruns abertos sobre diferentes temas O Reddit é uma plataforma baseada em fóruns organizados por interesses. Existem comunidades voltadas para estudos, cultura, tecnologia e troca de informações úteis. Ao mesmo tempo, há espaços com debates sensíveis, linguagem inadequada e conteúdos que exigem maturidade para interpretação. Por funcionar majoritariamente com perfis anônimos, o Reddit permite que adolescentes circulem por temas variados sem que os pais percebam facilmente. Discord: servidores privados e comunicação em grupo O Discord é uma ferramenta de comunicação muito popular entre adolescentes, especialmente para conversas em grupo sobre jogos, estudos e interesses comuns. Ele funciona por meio de servidores, muitos deles fechados, com acesso apenas por convite. Esses ambientes favorecem interações intensas e contínuas, que nem sempre são visíveis para adultos. Por isso, é importante que pais conheçam os servidores dos quais seus filhos participam e entendam como a plataforma funciona. Twitch: transmissões ao vivo e chats em tempo real A Twitch é uma plataforma de transmissões ao vivo, bastante utilizada para acompanhar jogos, eventos e criadores de conteúdo. Durante as lives, os chats funcionam em tempo real, com grande volume de mensagens. Esse formato exige atenção, pois comentários aparecem e desaparecem rapidamente, o que dificulta o acompanhamento e a mediação das interações. 4chan: fóruns anônimos com pouca moderação O 4chan é uma plataforma baseada em postagens anônimas, sem perfis identificáveis. Por não contar com regras claras de convivência ou moderação consistente, é considerado um ambiente de maior risco para adolescentes. Muitos pais nunca ouviram falar dessa rede, o que reforça a importância de conhecer os espaços digitais frequentados pelos filhos. O que os pais podem fazer para promover segurança digital? A orientação familiar é uma das principais estratégias de proteção no ambiente online. Mais do que vigiar, é fundamental construir diálogo, estabelecer limites e acompanhar. 1- Converse sobre o uso da internet Explique que a conversa faz parte do cuidado e da responsabilidade compartilhada. Interesse genuíno gera mais abertura do que controle rígido. 2- Combine regras claras de acesso O uso de celular, computador e internet pode vir acompanhado de acordos, como compartilhamento de informações básicas sobre as plataformas utilizadas. 3- Peça acesso às contas  Ter login e senha não significa monitorar constantemente, mas estar disponível para ajudar em situações difíceis ou de risco. Explique a importância de ter acesso e avise a criança e o adolescente que irá verificar: “Como combinamos, hoje vou olhar o seu celular (ou tablet, computador). Ok?”. Isso demonstra diálogo e respeito.  Conheça as plataformas utilizadas Buscar informações sobre como funcionam Reddit, Discord, Twitch e outras redes ajuda os pais a orientar melhor e a identificar sinais de alerta. Reavalie os combinados com frequência A vida digital muda rápido. Regras e acordos precisam ser revisitados conforme a idade e a maturidade do adolescente. Presença adulta faz diferença no ambiente digital A internet é parte da vida de crianças e adolescentes. Ignorar esse fato não protege. A presença de pais e responsáveis, com escuta ativa e orientação, contribui para um uso mais saudável da tecnologia e para o desenvolvimento do pensamento crítico. Estar atento às plataformas utilizadas pelos filhos é um passo essencial para fortalecer a convivência digital e a segurança online em família.

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